RGBM, MAIS UM DIFERENCIAL NAUI
Data: 17/08/2007

RGBM – Reduced Gradient Bubble Model A NAUI criou sua divisão de mergulho técnico em 1997 com a intenção de diminuir a quantidade de acidentes que ocorriam na época. Para isso fez uma análise das causas dos acidentes e constatou que algumas coisas precisavam ser mudadas, entre elas o modelo descompressivo. Para isso recorreu ao Ph.D. Bruce R. Wienke, que já desenvolvia, no Laboratório de Los Alamos (NASA), um programa de descompressão mais ágil para cobrir as necessidades de um grupo seleto de mergulhadores da Marinha Americana. Com a ajuda do Capitão Tim O´Leary, presidente da NAUI TEC mundial, esse modelo descompressivo foi adaptado para o mergulho recreativo e começou a ser testado também pela equipe de mergulho técnico da NAUI em todo o mundo. A principal diferença deste modelo em relação aos outros é o uso da física em conjunto com a fisiologia. As tabelas de descompressão que são utilizadas até hoje são baseadas simplesmente na quantidade de gás dissolvido nos tecidos de nosso corpo. Ninguém considerou até então a física relacionada à formação mecânica das bolhas. Controlando a formação das bolhas e as razões de sua formação, nós podemos evitar a doença descompressiva. Afinal a doença descompressiva é causada basicamente pelas bolhas. Se nós não analisarmos matematicamente a formação das bolhas, nós nunca seremos capazes de controlar a doença descompressiva. Para reduzir a formação das bolhas é necessário entender a física, assim como sua relação com os gases dissolvidos nos tecidos. A combinação de dois sistemas foi utilizada para criar um modelo que reduzisse a formação das bolhas. Primeiro usamos um modelo de gás dissolvido similar aos conhecidos Buhlmann, Haldane, US NAVY, etc. Depois combinamos com um modelo de fase livre do gás (bolhas). Esse modelo controla o tamanho das bolhas. Um mergulhador usando uma tabela de descompressão convencional faz suas paradas aos 12, 9, 6 e 3 metros e vai gastar muito tempo parado nestas profundidades antes de sair da água. Isto acontece por que o tamanho das bolhas já está relativamente grande, o que faz com que estas tabelas não sejam realmente tabelas de descompressão, mas sim tabelas de tratamento de doença descompressiva. Por isto esses modelos obrigam os mergulhadores a cumprirem um grande tempo de descompressão. Uma das coisas que a RGBM faz é parar o mergulhador em profundidades maiores usando a pressão da água para comprimir o gás dentro do corpo e eliminá-lo de forma mais eficiente de tal forma que quando o mergulhador atingir os 12, 9, 6 e 3 metros ele possa sair de 30 a 40% mais rápido da d’água e com menos nitrogênio residual. Outra coisa que a RGBM faz é aumentar o limite não descompressivo em mergulhos sucessivos. Esta tabela também permite que em caso de perda do cilindro de oxigênio para descompressão você possa subir sem trocar de tabela, apenas dobrando o tempo das paradas descompressivas dos 6 e 3 metros. Para os amantes do mergulho técnico, a NAUI lançou em parceria com o Dr. Bruce Wienke, o livro NAUI RGBM Deco Tables, um livro com todas as tabelas descompressivas necessárias para um mergulhador técnico planejar seus mergulhos, desde mergulhos mais rasos com nitrox, até misturas trimix para grandes profundidades, além de versões para Rebreather. Para os mais conservadores, não se preocupem, pois esse modelo foi testado diversas vezes antes de ser aprovado e autorizado para o uso da comunidade de mergulho. Além dos testes iniciais no Laboratório de Los Alamos, foi testado em animais na Europa, onde foram mapeadas as bolhas através de um Dopler, e ainda antes de ser autorizado, foram realizados mais de 200.000 mergulhos pela equipe da NAUI Tec ao redor do mundo, de 1997 até 2006. Com a implementação desse algoritmo nos computadores de mergulho dos principais fabricantes, milhares de mergulhadores já utilizam o modelo RGBM modificado, com isso temos a certeza da eficácia como jamais tivemos antes.
Fonte: Regis Iannarelli